A religiosidade sempre esteve presente em minha família. Pai católico e mãe mais conectada com a doutrina espírita, a fé em Jesus Cristo e devoção a Nossa Senhora nortearam desde o princípio os nossos valores familiares. Mas foi através da minha irmã, Cíntia Aparecida (olha o nome), que eu de fato conheci Cristo e a Igreja Católica.

Durante a sua adolescência, ela começou a participar do Grupo de Jovens Viver, pastoral da Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Curitiba. Eu, ainda criança, observava curiosa a sua caminhada cristã, e todas as atividades que ela realizava dentro da comunidade, e ansiava pelo dia em que eu faria o Retiro Semeador, encontro anual de primeiro anúncio organizado pelo grupo de jovens.
Com 16 anos tive a oportunidade de fazer o meu primeiro retiro espiritual chamado Mini TLC. Foi uma experiência incrível e que me trouxe o primeiro contato com Deus.
Mas foi no ano seguinte, quando fiz o Semeador, que minha história se conectou completamente com o catolicismo. Desde então comecei a participar semanalmente do grupo de jovens, a servir dentro da comunidade ajudando na liturgia das missas, e descobri o meu talento para o canto, algo que busco até hoje deixar a serviço de Deus.


Durante os anos que se passaram, participei de outros dois retiros: TLC – Treinamento de Liderança Cristã, e Jeda. Todos, incluindo o Semeador, contribuíram com a minha fé e trabalhei em encontros seguintes ajudando a evangelizar outros jovens. Cristo tinha entrado em minha vida e eu precisava falar deste amor.
Ao todo, foram mais de 14 anos de caminhada ininterrupta dentro da Igreja antes de vir para Melbourne. Me crismei depois dos 20 anos de idade, fui coordenadora do grupo de Jovens, catequista, integrante de ministérios de música e vice coordenadora do Retiro Semeador, minha última e mais desafiadora missão em 2019.

Meu encontro com a Capelania de Língua Portuguesa
A minha vinda para Melbourne, no final de 2019, foi pautada pela vontade de me reconectar comigo mesma e com a minha espiritualidade. Vim aberta à novas vivências, inclusive religiosas. Porém, como sempre em minha vida, Deus me chamou de volta para casa.
Vi o anúncio no Facebook sobre a missa em português na Capelania de Língua Portuguesa, e, depois de uns dois, três meses nesta loucura de intercâmbio, senti a necessidade de ir à missa e, nada melhor, que no meu próprio idioma onde eu conseguiria entender 100% a palavra de Deus.
Para minha sorte, que eu chamo de Deusdência, a missa que eu fui era o domingo em que os jovens brasileiros eram responsáveis pelo canto e liturgia. Ao final da missa, fui muito bem acolhida pela comunidade e a Danielle veio falar comigo para me adicionar no grupo. E, claro, comentei que cantava. O canto, que lá atrás nasceu em mim durante uma missão e que agora me trouxe de volta para a igreja.
Sou imensamente grata por ter encontrado esta comunidade, por estar reconectada com a minha fé, fazer novos amigos e por poder servir da maneira que eu mais gosto: cantando.