“Chamados para servir”

Nós somos originários do Timor-Leste e por dificuldades políticas em nosso país viajamos para Portugal, país que se converteu em nossa casa por alguns anos. Deixamos Portugal em 1990 e viemos para a Austrália.

Foi em Portugal que encontramos o Rev. Padre Gelásio que se encontrava ali de férias e nos falou do trabalho com as comunidades de língua portuguesa em Melbourne. Sem pensar muito, e com disponibilidade, oferecemos a nossa ajuda para contribuir na missão. E desde então já se passaram 29 anos que estamos aqui.

Na nossa chegada à cidade apresentamo-nos ao Sr. Padre Gelásio, que nessa altura estava a preparar a festa da comunidade, e como gosto de cantar tentei fazer parte do coro, ao que o padre disse: “se quiser fazer parte do coro, têm que arranjar mais três jovens para cantar”. Na verdade, nada disso aconteceu, no entanto, passei a fazer parte do coro, e por vários domingos cantei o salmo durante a Liturgia dominical.

Já para o 1991, passei a dar a comunhão à comunidade, como ministra extraordinária da comunhão, e levar também a comunhão às pessoas doentes da comunidade.

Logo depois, junto com o meu marido, o Câncio, fizemos parte do conselho da Capelania, onde participamos de vários encontros para discutirmos as decisões importantes da mesma. Nós sempre nos preocupamos de construir pontes e não ilhas, pois sabíamos da importância de formar comunidade.  

Trabalhamos junto a muitos padres que passaram pela Capelania. Aonde tive a oportunidade também de dar a catequese ou preparação para as crianças que se preparavam para o Sacramento da Primeira Comunhão, especialmente no tempo do Rev. Padre Lupito; assim como tive a graça de preparar dois pares de noivos para o Sacramento do Matrimônio.

Outros trabalhos que tenho oferecido à comunidade são: a limpeza, o arranjo das flores do altar, do átrio e do andor de Nossa Senhora.

Vale dizer que mesmo que o trabalho foi desenvolvido com carinho, e que toda a comunidade se empenhava por contribuir para o bem-estar de todos, as dificuldades bateram à nossa porta, pois tudo o que tínhamos construído, a experiência maravilhosa de comunidade, desmoronou… parecia que a Capelania ia fechar as portas… no entanto, e graças a verdadeiros cristãos que souberam ultrapassar as dificuldades, e a paciência dos padres Scalabrinianos, a Capelania de Língua Portuguesa permanece em pé até agora.

Por isso, dou imensas graças a Deus e aos padres que perseveraram até hoje para manter viva à Capelania.

Ilda Noronha