Lembranças da nossa cultura e fé

Nos mudamos para Melbourne em Junho de 2017, para iniciarmos os nossos doutorados em Neurociências. Éramos recém casados e tivemos um relacionamento de mais de 3 anos à distância no Brasil, antes de nos casarmos e mudarmos para a Austrália. Por esse motivo, nunca tínhamos praticado a vida cristã como família.

Através de um convite para participar da Capelania de Língua Portuguesa de Melbourne, tivemos a oportunidade aproximar nossa cultura.

As nossas primeiras semanas na Austrália trouxeram diversas descobertas. Além disso, houve uma necessidade de se conectar com algo que nos lembrasse da nossa cultura e que amenizasse os desafios da adaptação vivendo num novo país. Foi então que vimos um convite para participar da famosa missa no último domingo do mês com os brasileiros da Capelania de Língua Portuguesa.

Nunca me esquecerei da minha primeira vez na Igreja Santa Brígida. Lágrimas caíram dos meus olhos desde o momento em que pisei na igreja, até o final da missa. Até hoje, não sei explicar o motivo pelo qual me emocionei tanto, mas o sentimento ao ouvir as palavras do padre Luciano era de conforto e, faziam eu me lembrar de quando eu era criança e ia à missa com minha mãe ou minha avó, que estavam tão longe naquele momento.

Desde então, passamos a frequentar também as missas na Capela São Marcos com os adoráveis portugueses aos domingos de manhã e alguns meses depois conhecemos o padre Fábio. Ir à missa criou um significado de que estávamos construindo algo como família juntos.

Durante a pandemia, assistia às missas pela página do Facebook da Capelania. Mas foi somente no ano passado (2022) que passamos a contribuir mais ativamente servindo à Capelania como voluntários. Quando eu era criança, participei de inúmeros encontros e retiros dos grupos de jovens da igreja da minha cidade em Brasília. A oportunidade de me aproximar mais de Deus, servindo à Capelania em conjunto com meu parceiro, trouxe esse mesmo sentimento de pertencimento e acolhimento que eu me lembro de sentir quando era adolescente.

A conexão do Pedro com a igreja também vem através de sua família. Quando criança, ele também participava de grupos de jovens e gostava de acompanhar a sua avó nas reuniões do terço toda semana. Hoje, cada um de nós serve conforme o coração chama, seja nas liturgias, doações ou o canto. Além disso, a oportunidade de poder acolher imigrantes na Capelania e conhecer novas pessoas que tem a mesma fé que nós é algo muito prazeroso e reconfortante.

Flávia Maria Medeiros Gomes