Jornada de busca espiritual e fé

Apesar de ter sido desde cedo batizado na Igreja Católica e de ter tido um breve contato nos meus primeiros anos de vida, a prática da religião não fazia parte da minha busca espiritual durante a minha infância e juventude.

Adicionalmente, como acontece a muitos cristãos brasileiros residentes nas capitais, a ausência de referências positivas próximas e de orientação espiritual são problemas devastadores. Além disso, esses problemas unidos a um ardente desejo pelas coisas do alto, levaram a minha família a buscar por Deus por meio das mais diversas denominações, incluindo o espiritismo e as crenças de matriz asiática.

Alex

Eu não sabia até então, mas descobri, posteriormente, que os ensinamentos cristãos e preceitos da moral cristã estavam muito presentes em toda a minha formação e estiveram enraizados durante todo esse percurso. Deste modo, a minha busca nunca trazia consigo uma sensação de completude, pois parecia que algo interior sempre estava faltando. Era como se eu não pudesse ser eu. Como um profundo distanciamento da verdade.

Até meus vinte e poucos anos, a Igreja Católica era um mistério intransponível e o que me atraía eram a figura de Jesus, a história, a arte e a música. Foi com a internet, por meio de blogs e videos que passei a ter contato com as referências que a mim eram anteriormente escassas. Uma dessas referências foi a do Padre Paulo Ricardo. Por curiosidade passei a consumir conteúdo católico. Assim, iniciei timidamente a minha formação. Passei a evoluir de um degrau a outro, até que culminasse no início da prática da religião, marcando meu retorno à Igreja Católica há alguns anos atrás.

A minha namorada católica Daniela Dias, que é importante mencionar, foi uma grande incentivadora neste processo de incorporação e busca da fé, além de me auxiliar na formação e prática cristã.

Vida em Melbourne e a Capelania de Língua Portuguesa

Antes de minha viagem para Melbourne já tinha como plano tornar a prática da religião um ponto central da minha vida. Meu primeiro passo foi mapear as igrejas católicas em Melbourne enquanto ainda estava no Brasil, foi quando descobri que a St. Patrick’s Cathedral fazia transmissões das missas pelo seu canal no YouTube. Passei a acompanhar as missas, quase diariamente, com o objetivo de aprender e me preparar para as missas em inglês.

Nos meus primeiros dias em Melbourne procurei a igreja mais próxima e fui a minha primeira missa na Our Lady Help of Christians em Brunswick East. Era uma missa em italiano, com pouquíssimas pessoas presentes, da qual participei sem muito compreender. Ao fim da missa, no entanto, um jovem chamado Ian Vergel, seminarista em Melbourne, veio conversar comigo e me convidou para um café. Conversamos muito sobre religião e ele me deu informações preciosas. Ele me recomendou a participar também da missa da Comunidade de Língua Portuguesa na St. Mark’s.

O primeiro contato com a Capelania

Com base na preciosa orientação do seminarista, fui à missa em português no meu primeiro domingo em Melbourne. A experiência não poderia ter sido melhor. Ao término da missa, esperava sair silenciosamente da igreja, mas fui abordado pela Danielle e pelo Renan, que ao saberem que era a primeira vez que participava de uma missa na comunidade, foram extremamente acolhedores. Sem contar em toda a comunidade por meio da Capelania de Língua Portuguesa e do Pe. Fabio, que foram também receptivos. Formamos assim uma amizade e me coloquei a disposição para contribuir com o que fosse possível como um voluntário.

Posteriormente, me mudei para Brunswick West, onde passei a frequentar também as missas em dias de semana nas igrejas St. Joseph’s e St. Fidelis. Acabei deste modo me envolvendo também com a comunidade da Brunswick and Moreland Catholic Mission. Passei a receber orientação espiritual de Margaret Trainor, para avançar em pontos que faltavam em minha prática e formação católica. Então, passei a atuar como assistente na preparação para as missas todos os sábados em St. Fidelis.

É certo dizer que a minha jornada em Melbourne está apenas no começo, mas a oportunidade criada pela Capelania de Língua Portuguesa, ao permitir o contato com pessoas inspiradoras diretamente conectadas pela língua materna, compartilhando a mesma cultura, estão co-relacionadas com as minhas buscas e minhas necessidades pessoais. A Capelania faz com que eu me sinta em casa, apesar de longe da minha terra. Estar aqui e saber que posso colaborar com o fortalecimento desta comunidade e com o acolhimento dos recém-chegados é gratificante.

Alex Henrique Silva