Católica fervorosa

Desde pequena me lembro de estar na igreja junto com minha família, sempre inseridos na comunidade, engajados principalmente nas festas da padroeira: minha mãe ajudando na cozinha e meu pai na arrecadação de prendas e doações.

Familia da Berenice

Na minha adolescência, senti que deveria continuar engajada de alguma forma na comunidade, pois já tinha terminado a catequese, foi então que comecei minha caminhada como auxiliar de catequista na Capela Santa Rosa de Lima, e depois, não parei mais: fui catequista por muitos anos e participei de várias pastorais (Dízimo, Liturgia, Acolhida, Ministério de Música), sempre com o propósito de estar cada vez mais perto de Deus. Após alguns anos, acabei deixando um pouco de lado, pois estava trabalhando e queria me dedicar para o vestibular e começar minha faculdade.

Como diz um padre da minha cidade Curitiba “a Providência Divina” estava por vir. Continuei participando das missas na minha paróquia até que, um domingo de manhã, meu pai estava assistindo uma missa na tv e achei interessante a forma que o padre falava durante o sermão, com uma didática que eu não havia visto antes.

Eu, muito curiosa, procurei saber como chegar naquela paróquia no dia da gravação das missas, e pra minha sorte e providência Divina, minha vizinha ia toda semana na missa, foi então que combinamos de irmos juntas e, depois daquele dia, não parei mais. Comecei a ajudar na Pastoral da Acolhida da paróquia desse Padre (Paróquia Nossa Senhora do Guadalupe), tínhamos Adoração ao Santíssimo, algo que nunca havia experienciado antes e que me deixava muito mais leve e conectada com Deus.

Foi aí que conheci a Devoção a Jesus Misericordioso, algo que levo comigo até hoje, pois sei que se estou aqui, devo muito a Ele. Lembra da Providência Divina? Eu fui demitida do meu trabalho, eu realmente queria sair daquele ambiente, mas foi um baque pois foram mais de 4 anos trabalhando na mesma empresa e eu não sabia o que fazer naquele momento.

Foi quando minha irmã mais velha decidiu prestar vestibular e, como eu estava desempregada, resolvi prestar o vestibular também, afinal não tinha nada a perder. Me inscrevi para um cursinho pré-vestibular de 2 meses e meio, 6 anos depois de terminar o Ensino Médio, na cara, coragem e dedicação.

Na semana que iniciei o curso, por coincidência ou providência, o padre iniciou a novena de Jesus Misericordioso, decidi participar da novena do meio-dia e depois ia pro cursinho, durante 9 semanas eu pedia que se fosse da vontade dele, que eu passasse no vestibular e se não passasse, que me desse forças para não desistir.

No sábado antes da primeira fase, fui à missa e adoração ao Santíssimo, levei minhas canetas para que fossem abençoadas pois usaria na hora da prova. Fiz a prova no dia seguinte, após algumas semanas o resultado saiu, e eu tinha passado para a outra fase, não tinha acreditado, mas continuei firme no meu propósito. Fiz as outras duas provas e, 2 meses depois tive a notícia que havia passado e tive uma boa colocação. Sei que, esta vitória, foi gracas à Jesus Misericordioso.

Quando meu marido e eu nos mudamos para Melbourne, comecei a pesquisar onde havia missa em português, e encontrei a Capelania de Língua Portuguesa. Começamos a participar das missas e nos envolvemos tanto que, quando vimos, estávamos no grupo de cantos ajudando nas missas. Confesso que foi algo incrível poder participar das missas novamente e encontrar pessoas tão queridas e acolhedoras que se tornaram nossa segunda família na cidade.

Participar da missa na nossa língua materna, aqueceu nosso coração e nos fez sentir que não estávamos sozinhos, mesmo estando em outro país, Deus age na hora e no momento certo!

Berenice Silveira e Everton Zaquini